Conversas de Moda

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Bia Yzawa no Hoje vou assim OFF

É com muita alegria que mostro aqui a minha participação no blog Hoje vou assim OFF, da Ana Carolina Soares – uma blogueira que acompanho há anos e com quem me identifico demais.

A Ana fez o convite e foi uma honra compartilhar minhas comprinhas e, principalmente, a intenção por trás delas: o consumo consciente.

Escrevi sobre a importância de procurar itens artesanais e conversei um pouco sobre o hábito de consumir em fast fashion.

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Agradeço demais por essa oportunidade! Vocês podem ler o post completo aqui. Caso alguém ainda não conheça o blog da Ana – se é que isso pode ser possível – precisa conhecer!  Ela produz looks bem interessantes, criativos e, normalmente, com muita cor (adoro!). Além disso, o blog conta com dicas de consumo e achados.


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A terceira etapa do consumo consciente

Quando comecei a controlar aquilo que compro, foi inicialmente para economizar. Percebi que meus gastos com roupas eram extremamente exagerados, muitas peças eram puro desejo do momento e não iria usá-las no meu dia a dia. Basicamente meu dinheiro era jogado no lixo, o que não era nada inteligente. Economizar foi um ótimo passo inicial.

Com o passar do tempo, comecei a perceber que a compra consciente vai muito além de fechar o mês com uma boa grana no bolso. Comprar as peças certas me deixava feliz porque eu poderia usar com tudo – ou pelo menos quase tudo – que já tinha no meu guarda-roupa.

Como se não bastasse poupar e ficar feliz com minhas compras, ainda vem uma terceira etapa do consumo inteligente: a consequência da sua compra para a sociedade.

O que isso quer dizer?

Trocar o seu dinheiro por uma peça de roupa que foi produzida por uma empresa dentro das leis trabalhistas e cujos funcionários estão recebendo aquilo que merecem por seu trabalho. Além disso, tentar comprar mais peças fabricadas em nosso país. 

Essa é a parte mais complexa do consumo consciente. Recentemente tivemos a notícia do uso do trabalho escravo por uma grande fast fashion nacional. Eu e mais um milhão de pessoas costumávamos comprar nessa empresa com frequência. O que fazer numa hora dessas?

Boa parte das fast fashion faz uso do trabalho escravo. Sabe-se que uma multinacional super queridinha das fashionistas usa essa ilegalidade há tempos, mas muitas pessoas ainda consomem seus produtos.

O que eu acho? Que vai da consciência de cada um. A minha, pelo menos, começou a doer. Por isso mesmo fico tentando achar uma solução e, enquanto isso, consumir em lojas nas quais possa confiar.

E o que vou fazer com minhas peças adquiridas nessas lojas “fora da lei”?

Tudo aquilo que foi comprado antes de saber dessa ilegalidade será usado. Primeiro porque não podemos nos sentir culpados de algo que não sabíamos. Segundo que 95% das minhas roupas provém de fast fashion e não sou rica para jogar tudo no lixo e começar do zero. Bem que gostaria de poder renovar todo o guarda-roupa com peças 100% sustentáveis, mas na realidade isso não acontece da noite para o dia. Jogar tudo fora parece uma rebelião com um bom propósito, mas seria o mesmo que jogar dinheiro no lixo – e estaria dando vários passos para trás (“jogar dinheiro no lixo” foi o que me fez iniciar o consumo consciente, lembram?).

O que posso fazer é mudar a forma de consumir a partir de hoje. Procurar produtos que agridem menos o meio ambiente, lojas que fabricam dentro da legislação etc.

Acredito que o blog já estava mostrando certa preocupação nesse sentido e espero continuar nessa busca, compartilhando com vocês meus aprendizados e minhas comprinhas conscientes. Sei que, tal como as outras etapas, essa também será difícil, mas esse será um bom desafio que vai me fazer sair da zona de conforto e procurar por novas lojas. Também é uma boa desculpa para andar mais por ruas diferentes, entrar em novas lojinhas de rua, conversar com seus donos e conhecer mais a história de cada lugar. Parece que essa nova etapa será bem prazerosa.

 

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Consumo consciente: seus olhos enganam

Tenho exercitado o consumo consciente há pouco mais de um ano. Nesse tempo aprendi que o desejo de consumir vem de diferentes formas, desde estar num momento triste, como também de felicidade. Olha a complicação da coisa! Mas de todos os aprendizados, o que mais chamou a atenção foi esse: seus olhos podem te enganar.

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Tive a epifania num dia que estava me vestindo para ir ao cinema. “Queria porque queria” usar vestido preto, mas estava frio e a meia-calça seria indispensável. Vesti meia-calça preta. E o sapato? Como sou baixinha, bota preta seria ideal para alongar as pernas. Aí me encontrei vestida quase toda de preto – mas ainda faltava a jaqueta.

Podia escolher uma jaqueta colorida, mas não estava no feeling para cor. Queria ficar básica, discreta. E quais opções sobravam? Preta, branca? Se colocasse preta, ficaria com ar gótico – também não era o que queria. Branca? Muito contraste. Eis que, finalmente, me dei conta: “Se eu tivesse uma jaqueta cinza, seria perfeito: nem toda de preto, nem contraste. Discreta na medida”.

Depois desse dia, fiquei de olho em lojas onlines e físicas. Foi fácil achar? Não. É incrível como várias lojas investem em modelos variados de jaquetas em couro, de todas as cores possíveis – exceto a cinza.

Eis que um dia, andando por uma fast fashion, encontrei não só uma, mas três modelos de jaquetas de couro ecológico CINZA. Três! Coisa rara. Não tive dúvidas: peguei as três e fui correndo para o provador. Escolhi o modelo que mais tinha a ver com o meu estilo e me dirigi ao caixa, feliz da vida.

Ao sair da loja, o clima estava frio e estava sem agasalho. Apesar de portar um look complicado de ordenar (calça verde e camisa azul), pude retirar a etiqueta da peça e usar na mesma hora porque, né, cinza combina com TUDO. Naquele momento, minutos após a compra, já tive a certeza de que a jaqueta valeu cada centavo.

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Meses depois, entro na loja e vejo algumas daquelas jaquetas em promoção. “Como assim metade do preço?”. Claro que inicialmente bateu uma raivinha por ter pagado o preço inteiro – mas depois, pensando no custo-benefício e que pude escolher entre todos os modelos e tamanhos disponíveis, não tinha motivos para ficar irritada.

Mas então outro momento de epifania surgiu: “Por que essas jaquetas ficaram encalhadas?”

A questão é simples: porque cinza não chama atenção. Ao entrar na loja, certamente seus olhos pedem para você ir atrás da blusa pink, da jaqueta vermelha com spikes ou da saia estampada. Em meio a tantas peças coloridas e cheias de apetrechos, o cinza passa despercebido.

E pensando bem, a jaqueta cinza não é a única peça que os olhos ignoram. O mesmo pode acontecer com um sapato nude, camisa branca, blazer preto. Ou será que existe alguma pessoa nesse mundo que, mesmo apaixonada por Moda, começa um guarda-roupa com as peças mais coringas ever? Provavelmente não existe. Por isso mesmo é comum se encontrar na situação de ter muitas roupas, mas quase nenhum item coringa que combine com tudo. Aquela situação que você pára e pensa: “eu não tenho o que vestir”.

Se você também quer entrar nesse exercício de consumo consciente e/ou ter um guarda-roupa funcional, sugiro que passe a prestar atenção nos itens para os quais você é atraída. Passe a anotar tudo que sente falta nos seus looks e perceba se não é hora de passar a consumir com a mente – e não com os olhos.

PS: A jaqueta tão falada nesse post apareceu no Look do dia floral com cinza e alpargatas.

Conversas de Moda: sexo não tem cor

Ano passado ganhei uma sobrinha (a primeira!) e, mês passado, meu priminho nasceu. Com a família crescendo, me vejo passeando por lojas de bebês; olhando sapatinhos minúsculos e escolhendo roupinhas para os pequenos. Só que existe algo nesse universo infantil que me irrita profundamente. Por que meninas estão associadas com a cor rosa e por que diabos os meninos ficam com a cor azul? Sexo não tem cor e as cores não possuem sexo. Então pra quê essa besteira toda?

Não entendo o motivo de afunilar o universo infantil em apenas duas cores dentre uma infinidade de maravilhosos tons. Pior do que a escassez de opções são os tons pálidos de rosa e azul que o mercado insiste em fabricar: mamadeiras, banheiras, chupetas e todos os demais objetos que englobam o mundo dos bebês.

Se o problema se limitasse à fabricação dos produtos infantis, seria fácil contornar essa situação, pois bastaria que os designers se ocupassem com a escolha das novas cores. O triste é que os dois tons pálidos continuam sendo a majoritária opção por causa de nós: pais, mães, tios, tias, vizinhos, amigos; enfim, a sociedade.

Muitos papais e mamães podem até se queixar que não gostam dessas cores pré-conceitualizadas; mas o desabafo não chega a ultrapassar as paredes do lar. Claro, ter um bebê a caminho requer diversos cuidados e a ansiedade maior é pela saúde da criança, por isso entendo que os pais já tem muito com o que se preocupar.

Porém, essa questão não é somente para quem é pai ou mãe, é algo que envolve toda a sociedade. Você pode não ser mãe, mas pode ser tia. Você pode não ser pai, mas já foi um menino com um quarto azul. E se você, em algum momento da vida, já chegou a se incomodar com essa divisão de cores em universos femininos ou masculinos, por favor, desabafe. Faça um texto, incentive uma discussão, mande um comentário para aquela empresa de mamadeiras. Faça qualquer coisa, não importa se levar 30 segundos ou alguns meses, tudo será bem-vindo.

O que mais me irrita nisso tudo é pensar que existem diversos profissionais que foram contratados pelas empresas de produtos infantis para… Tcharam… Não fazerem NADA novo. Continuam com a mesmice. Designers de produtos infantis, por que não tentam fazer algo realmente legal e criativo? Profissionais de marketing, por que não há interesse em dar liberdade ao universo das cores?

Tenho certeza que não sou a primeira e nem a última pessoa na face da Terra que vai questionar esse pré-conceito com o rosa e o azul. E gostaria, profundamente, que um dia possa testemunhar um casal comprar uma mamadeira rosa para seu bebê meninO e vendedores e clientes da loja agirem como se fosse normal; porque afinal, não há motivos para não ser.

 A cultura vem do berço

Rubbish Fashion




Sexta-feira, 07 de dezembro, hoje foi a última entrega de trabalho do ano! E a foto acima  fez parte do trabalho de Design Sustentável, individual, tema livre e com a proposta de utilizar resíduos sólidos urbanos, ou seja, provenientes do lixo. O meu projeto foi de desenvolver uma peça de vestuário com sacolas plásticas, já que o material é um dos mais descartados em escala mundial.





O trabalho também contou com um lado mais teórico e apesar de ter projetado de maneira basicamente artesanal, a ideia principal é de re-inserir as sacolas plásticas no mercado têxtil, prevenindo seu descarte e consequente aumento de seu volume em aterros; evitando assim a contaminação do solo em longo prazo. Algumas empresas estão começando a fazer isso e criando tecidos a partir de garrafas  de plástico.





Na foto acima, mais detalhes do colete. Procurava uma maneira de formar textura e foi a partir de algumas tentativas que fui fazendo dobraduras em leque e gostei da textura formada. Depois disso, parti para a aplicação metálica dos lacres das latinhas. Deu trabalho, hein? Passei 8 horas para fazer essa aplicação com lacre de latinhas de refrigerante! Sinto que depois disso estou apta para fazer  DIYs (Do It Yourself).





E é dessa maneira que termino a semana e começo as minhas férias! Foi um dos projetos mais tranquilos que já fiz em toda a faculdade e com certeza foi um dos que mais gostei.

Beijos e um ótimo final de semana para todos!